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domingo, 12 de junho de 2016

EÇA DE QUEIRÓS PREOCUPANTEMENTE VISIONÁRIO?

http://traulitar.blogspot.pt/2015/11/chic-valer-la-dizia-damasoeca-de.html
EÇA DE QUEIRÓS PREOCUPANTEMENTE VISIONÁRIO?

«com o advento definitivo das democracias, haverá na Europa, não a universal fraternidade que os idealistas anunciam, mas talvez um vasto conflito de povos, que se detestam porque se não compreendem, e que, pondo o seu poder ao serviço do seu instinto, correrão uns contra os outros» (Eça de Queirós, "Fraternidade", 1890. INCM, 2011, p. 223)
Houve a 1.ª Grande Guerra, depois a 2.ª Grande Guerra; e agora...

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Uma Farpa de Eça de Queiroz sobre o PODER

Eça de Queiroz, vinte anos depois de ter escrito esta Farpa, na altura em que a a republicou em "Uma Campanha Alegre", disse que, se calhar, tinha exagerado um bocadinho... 
Ora bem, 140 anos depois, nós, o que pensamos disto?... Será que Eça exagerou mesmo?... Ou não?...
IX
Junho 1871.
Há muitos anos que a política em Portugal apresenta este singular estado:
Doze ou quinze homens, sempre os mesmos, alternadamente possuem o poder, perdem o poder, reconquistam o poder, trocam o poder... O poder não sai de uns certos grupos, como uma péla que quatro crianças, aos quatro cantos de uma sala, atiram umas às outras, pelo ar, num rumor de risos.
Quando quatro ou cinco daqueles homens estão no poder, esses homens são, segundo a opinião, e os dizeres de todos os outros que lá não estão – os corruptos,os esbanjadores da fazenda, a ruína do País!
Os outros, os que não estão no poder, são, segundo a sua própria opinião e os seus jornais – os verdadeiros liberais, os salvadores da causa pública, os amigos do povo, e os interesses do País.
Mas, coisa notável! – os cinco que estão no poder fazem tudo o que podem para continuar a ser os esbanjadores da fazenda e a ruína do País, durante o maior tempo possível! E os que não estão no poder movem-se, conspiram, cansam-se, para deixar de ser o mais depressa que puderem – os verdadeiros liberais, e os interesses do País!
Até que enfim caem os cinco do poder, e os outros, os verdadeiros liberais, entram triunfantemente na designação herdada de esbanjadores da fazenda e ruína do País; entanto que os que caíram do poder se resignam, cheios de fel e de tédio – a vir a ser os verdadeiros liberais e os interesses do País.
Ora como todos os ministros são tirados deste grupo de doze ou quinze indivíduos, não há nenhum deles que não tenha sido por seu turno esbanjador da fazenda e ruína do País...
Não há nenhum que não tenha sido demitido, ou obrigado a pedir a demissão, pelas acusações mais graves e pelas votações mais hostis...
Não há nenhum que não tenha sido julgado incapaz de dirigir as coisas públicas – pela imprensa, pela palavra dos oradores, pelas incriminações da opinião, pela afirmativa constitucional do poder moderador...

E todavia serão estes doze ou quinze indivíduos os que continuarão dirigindo o País, neste caminho em que ele vai, feliz, abundante, rico, forte, coroado de rosas, e num chouto tão triunfante!

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Lisboa e a Política Portuguesa para Antero de Quental

Sempre que venho em temporada para o Faial, a atenção das minhas leituras procura especialmente assuntos e autores das ilhas.
Desta vez cheguei-me um pouquinho mais a Antero de Quental, pela escrita que Eça de Queirós lhe dedicou.
Eça foi um dos amigos de Antero a quem foi pedido que desse o seu contributo para o "In Memoriam". O tempo que Eça demorou a entregar o seu texto fez os coordenadores da obra quase chegarem ao desespero, tanto que tardou na entrega do escrito prometido!
O texto foi finalmente entregue e, depois de o lermos, percebemos como Eça sentia necessidade de tempo - muito tempo! - para o escrever. Houve ainda quem opinasse que a demora de Eça tivesse a ver com a reação pessoal ao que ele, na altura, pensou ser a exclusão a que tinham condenado o seu amigo Ramalho Ortigão.
Sobre a política portuguesa, escreve Eça :
"Elle [Antero de Quental], de resto, ainda acreditava então que miserias e erros provinham do vicio ou da incompetencia da pequena Casta Politica que, atravez de Lisboa, domina a Nação, - e que, no fundo do povo, existia, latente mas intacta, uma grande energia viva, capaz de reconstruir, sob a direcção da Virtude e da Capacidade, a ordem na Sociedade portugueza." (p. 509, edição de 1896)
"Lisboa para Anthero era uma Ninive revôlta e sordida" (p. 522)
O que mudou?... Nada!... Já Júlio César avisara para o jeito das gentes que haveriam de desaguar nos corredores e assentar as peidolas nas cadeiras dos poderes da cidade capital.