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domingo, 2 de agosto de 2015

OS VEZES E OS REVEZES DO IDEAL EUROPEU - 008, "O veto é o símbolo da impotência."

OS VEZES E OS REVEZES DO IDEAL EUROPEU - 008

"O veto é o símbolo da impotência." (Jean Monnet, Memórias, Ulisseia, 2004 (1976), p.
Uma sessão do Conselho da Sociedade das Nações
96)

Depois de expressar a sua desesperança nas assembleias [da Sociedade das Nações] em que se aplicava a regra da unanimidade, ilustrada com um exemplo nada abonatório para o dorminhoco representante do governo de Sua Majestade, Jean Monnet afirma nas suas Memórias:
«O veto é a causa profunda e, ao mesmo tempo, o símbolo da impotência para ultrapassar os egoísmos nacionais. Mas é tão-somente a expressão de bloqueios mais profundos e frequentemente inconfessados.»
E prossegue expondo o seu pensamento
«A política inglesa procurava um equilíbrio de poder no continente, e a França queria dominar a Alemanha, e, se ainda não pensava na vingança, manobrava esforços no sentido de desfazer os constrangimentos. O vício residia no próprio Tratado de Versalhes: este fundava-se na discriminação. Ora, desde o dia em que me ocupei dos assuntos públicos, compreendi que a igualdade era absolutamente essencial nas relações entre os povos, tal como entre os homens. Uma paz de desigualdade nada podia trazer de bom.»
Tão pouco texto e tanto para pensar! Sobre unanimidade, veto, igualdade, discriminação, paz; desconfiança, egoísmo e sede de domínio.

domingo, 14 de junho de 2015

"All animals are equal, but some animals are more equal than others".

Todos os animais são iguais, mas há alguns que são mais iguais que outros.

Fernando Pinto Monteiro, antigo procurador-geral da República, admite que as investigações
judiciais possam ser aceleradas quando estão em causa figuras mediáticas, num comentário ao caso de José Sócrates, detido desde Novembro, no âmbito da Operação Marquês.

Em entrevista à rádio Antena 1 e ao jornal Diário Económico, Pinto Monteiro notou que um político não pode ser beneficiado, nem prejudicado, MAS admitiu que “se acelere um bocadinho a investigação, dada a importância que a pessoa pode ter no país”. [Pois, há uns que são mais importantes que outros]

José Sócrates, ex-primeiro-ministro, está indiciado pelos crimes de fraude fiscal qualificada, branqueamento de capitais e corrupção passiva para acto ilícito num processo em que é o único arguido ainda em prisão preventiva.

Sobre a prisão preventiva, Pinto Monteiro comentou que “ninguém pode ser preso para ser investigado”, pelo que mais tarde se analisará quais os indícios existentes para essa tomada de decisão.

Por enquanto, o juiz conselheiro jubilado do Supremo Tribunal de Justiça “ignora em absoluto o que se passa com José Sócrates” e apenas comentará uma sentença transitada em julgado, mas não deixa de considerar um “escândalo” a violação do segredo de justiça nos jornais.

“A sentença que venha amanhã a condenar ou a absolver é uma coisa secundária porque a comunicação social esmagadoramente todos os dias lança cá para fora coisas”, disse o magistrado, assinalando que as informações “vêm de quem tem o processo”.

“Quem mexe no processo são juízes, procuradores, advogados, solicitadores, funcionários, o próprio cidadão. É um escândalo o que se está a passar”, argumentou.

Questionado sobre a possibilidade de surgir uma acusação ao ex-primeiro ministro durante a campanha eleitoral para as próximas eleições legislativas, Pinto Monteiro lembrou que a "lei impõe prazos, mas não impõe dias".

Para Pinto Monteiro, qualquer ação neste caso levará “sempre alguém a pensar que é um lóbi político” e a formalização da acusação levará “sempre a comentários, dada a importância do preso”.

“Ainda hoje se falarmos sobre a Casa Pia, que já lá vai, que deus tem, ainda há quem entenda que houve condenações erradas”, comparou o antigo PGR, que sublinhou ser “fundamental, que o ódio não se possa sobrepor à Justiça” nos casos que envolvem personalidades mediáticas.

José Sócrates foi detido a 21 de novembro de 2014, no aeroporto de Lisboa, encontrando-se em prisão preventiva no Estabelecimento Prisional de Évora.