sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Abaixo as famílias, é?...

É uma espécie de carta aberta:

Ó xô dôtôr Eduardo Sá, espero que a frase que a Visão publica na edição de 10 de Setembro de 2009, na página 108; e que a revista apresenta como sua, até a presenta na forma de citação,
pois espero que a frase assim ali reproduzida esteja "descontextualizada", espero mesmo que esteja muito bem "descontextualizada" (já viu como eu também consigo dizer palavas destas!...).
Ao que parece, o xô dôtôr fez brotar do alto da sua cátedra e da sua reflexão sapientíssima a afirmação (e passo agora eu a citar a citação), ao jornal I: "As famílias tradicionais estão, felizmente, à beira da extinção".
É claro que a gente não deve perguntar pela sua família, pois claro, é invadir o espaço que pertence à privacidade de cada um, pois é... desculpe-me até ter deixado passar isso no meu pensamento, até por que já o vimos uma vez almoçando num restaurante ali bem pertinho da cidade universitária do Mondego com uma companhia tal que, quem os visse - como foi o meu caso - poderia pensar: "Olha que lindo!... O pai, a mãe ao lado do pai, dum lado da mesa, e os fihos à volta deles."
Pois... pois é... a nossa família, na "esfera" da privacidade legítima. Pois... a nossa... mas as famílias dos outros, a gente pode dizer o que quiser. É porque não invadimos a tal esfera, não é?...
Imagine-me a ver o que digo que vi nesse tal restaurante depois de ler o que li já ontem na Visão. Imagine-me a comentar assim para o lado para a pessoa que comigo também ali almoçava: Olha, ali está o que parece ser uma família tradicional. Está em extinção. E sabes que mais - diria eu ainda para a minha companhia - felizmente que está em extinção!..."
É que o senhor sabe que a família está em extinção; e sabe também que ainda bem que está em extinção!
Peço-lhe um favor, quando um dia falar sobre gente que tem jeito para dizer coisas estúpidas e que faz gala em dizê-las fora da esfera, diga-me, eu vou logo ler! Até pode ser que leia lá qualquer coisa sobre mim que me faça bem. Obrigado!

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Jovens e saudáveis

Estava para não escrever nada sobre isto, mas a insistência nos nosso telejornais não acaba. Insistem nisto há dois ou três dias.
Conforme as conveniências jornalísticas, tanto um indivíduo com 16 ou 18 anos é um "homem", como - como é agora o caso - um indivíduo de 29 anos é insistentemente jovem.
E mais!... É saudável, pesa 120 quilos.
Páro. Ninguém percebe se eu estou embotado, ou se estou a pensar.
120 quilos é saudável?... Bom, o rapaz pode ter 2 metros de altura... Está bem, não insisto.
Mas 29 anos... jovem?... Bem, penso que o cartão jovem ainda continua a ir até aos 30 anos... Se calhar foi isso, viram-lhe o cartão jovem!...
Pois é, não há dúvida nenhuma: quem tem 29 anos é jovem e quem tem 120 quilos é saudável.
Bendita televisão que nos ensina estas coisas! E todos os dias!...

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Iluminado ou resignado?... - 2

Boaventura Sousa Santos também escreveu na edição do dia 27 de Agosto de 2009 da revista Visão. Um "radar ensaio", ou um ensaio na secção Radar... mesmo que no índice da revista venha na secção Opinião. Enfim.
Começa assim: "A minha coluna, intitulada A esquerda é burra?, suscitou polémica..."
Para mim, a haver polémica, é só sobre quem é que, afinal, é burro?... É a esquerda?... Sou eu?... Ou nem a esquerda ou nem eu?... Não me digam que o burro é...
Repare-se como o especialista das relações sociais escreve:
"Nestas eleições o eleitor comum de esquerda será um eleitor relutante, de dois tipos: o relutante-desiludido e o relutante-esperançado (...) Os próximos tempos vão decidir o "destino" deste eleitor-chave. Pode em eleições futuras não ser sequer um eleitor relutante-desiludido; pode mesmo ser um não-eleitor. Ou, pelo contrário, pode deixar de ser relutante e trazer para o seu campo da esperança os agora desiludios. Tudo depende da visão dos políticos de esquerda."
Não sei qual é a visão dos políticos de esquerda. Por mim, no que diz respeito à minha visão, sei que fiquei de olhos completamente trocados. E fiquei cheio de vontade de descobrir ensaios de Boaventura Sousa Santos que falem de charlatães, aldrabões e pantomimeiros.
Iluminado ou resignado? Como o outro, cá p'ra mim é dos acomodados.
São estes os homens sábios que provocam e estimulam o nosso pensamento sobre a "coisa política", sobre a nossa participação em actos de cidadania (como são os das eleições portuguesas que se avizinham)?
Como tantas vezes dizemos e ouvimos dizer: Espera aí, vou ali e já venho...
E lá vou, outra vez, de costados completamente vergados a tanta eloquência!...

Iluminado ou resignado?... - 1

Esta é da “Opinião” de Pedro Norton, na Visão, de 27 de Agosto de 2009:

“Há boas razões [Tanto que ele sabe: que há razões e que são boas!]… a principal é o perigo [Boa?... Perigo é "boa"?... E também não nos diz mais nenhuma!]… há também péssimas razões [Mais tanto que ele continua a saber! Que inveja, tanta sabedoria! Mas continua-se a não se saber quais são. Isso mesmo!, todas bem guardadinhas para si próprio!]… estou convencido disso por duas ordens de razões. A primeira é a irrefutável lei da matemática [Onde estão, a “irrefutável” e a matemática?]… tem portanto, na minha modesta opinião [Ui! Que gesto nobre de humildade!]… mas há mais uma conclusão a tirar… daqui se conclui que… [Quer dizer, a conclusão da conclusão, ou seja, a "metaconclusão"!] para o bem e para o mal, a questão é mesmo só de decidir entre Sócrates e Manuela. É tudo mesmo uma questão pessoal.”

E disse Pedro Norton!

Estou sem palavras!... Fiquei mesmo sem palavras!... C'um caneco!...

Se calhar, não é iluminado, nem resignado. Cá para mim, isto é mais acomodado…

Pudera! Dispor de um órgão de comunicação social assim a pagar-lhe para escrever coisas destas! Quem dera a tantos!

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Vamos todos abanar o capacete!

Hoje faz manchete (se calhar, estou a exagerar; se calhar deveria ter começado simplesmente assim: "Hoje tem sido notícia") em alguns órgãos de comunicação social, neste jardim que continua à beira-mar plantado:
"Com a gripe A a entrar nos planos curriculares deste ano, os estudantes vão ter que alterar hábitos e comportamentos: o aceno de cabeça vai substituir os tradicionais beijos e abraços."
Tão universitários!... Tão doutos!... Se calhar é já a gripe, na convulsão febril que às vezes ilumina em delírio as mentes sofredoras, a levar a sapiência a um nível nunca antes tão elevado!... O meu bonézinho, contorcido nervosamente nas mãos que também são minhas, geme com a intensidade da minha boca escancarada de espanto!...
Portanto, só vale abanar o capacete! Nada de acenos com as mãos (agita-se demasiadamente o ar) ou quaisquer outras quinestesias corporais suspeitas ou bruscas!

Proponho que se lance um concurso sobre os acenos de cabeça mais expressivos, em duas modalidades:
  • concurso de fotografia;
  • concurso literário (deverá conter obrigatóriamente a descrição escrita, pormenorizada, do aceno de cabeça).

Aceitam-se sugestões para prémios; e para a constituição do júri.

sábado, 4 de julho de 2009

Quero crer, diz o ministro Teixeira dos Santos

Para já, deixo-a aqui registada. A marinar...
Depois cá virei comentar.
Impressionante, para mim, o que esta afirmação encerra de intenção de querer convencer, sem se estar nada seguro do que se está a dizer.
O autor não quer vir a ser apanhado numa mentira ou num engano, mas quer convencer já, pelos tais intereses interesseiros da política e da economia, o Zé Povinho daqulio que ele próprio não sabe, e nem sequer acredita com muita convicção.
A frase:
Quero crer que estamos mais próximos do fim da crise que do seu início.
(Ministro Teixeira dos Santos, na Assemblei da República, em 1 de Julho de 2009)

Ó Senhor Ministro, toda a gente sabe, sem que para isso sejam necessários quaisquer extras de inteligência e bom senso, que, a partir do momento em que qualquer processo dinâmico se desencadeia (pronto, eu facilito o léxico: a parti do momento em que qualquer coisa de põe em movimento), fica-se sempre mais perto do fim do que do início.
Nem o senhor de La Palice, Senhor Ministro, diria melhor.
Aliás, ao que parece, ele - coitado! - nunca disse nada das coisas que hoje tantos de nós lhe atribuímos.
E mesmo o fadista António Mourão, por mais que ainda nos pudesse cantar o seu "Ó tempo volta p'ra trás" conseguiria inverter a direcção dos acontecimentos, não concorda, Senhor Ministro?

Noutra altura, em dia a chegar, não tanto por, eventualmente, me chegar o engenho e a arte, mas, isso sim, se considerar que vale a pena, discorrerei aqui sobre o Quero e o crer. É que, como resulta do que antes escrevi, para se estar mais perto do fim da crise do que do início, não é preciso nem querer, nem crer. Não é verdade, senhor Ministro?...
Então, se é assim, por que é que disse aquilo de maneira tão enfática?
Ó Senhor Ministro, o que quer mesmo do Zé Povinho?

sexta-feira, 1 de maio de 2009

As palavras que ditam (o Zé Povinho diria outra coisa...) sentenças

O que se pode fazer com as palavras é, simplesmente, tudo. Até se consegue atirar para cima do Zé Povinho, não só a bem convencida certeza de que os peixes são livres de viver fora de água, mas também a de que realmente o conseguem fazer.
O tema principal deste apontamento, bem eu o poderia escrever noutro dos meus blogues, com intenção instrutiva para os jovens e os meus colegas professores, bastaria para isso arrumar as palavras de maneira diferente. Além disso, o título desse blogue ("Na escola. Escrever quase na água") tem vestígios do centro da disputa jurídica de que vou falar a seguir: também eu "plagiei" Augusto Abelaira e os seus textos no semanário "O Jornal", jornal de que - outra curiosidade - o autor das palavras que vou copiar para aqui era o director.
Mas, pronto, desta vez decidi por menos pedagogia e por mais espanto absurdo.
A situação que conta José Carlos Vasconcelos é parente de uma outra que muito recentemente aconteceu comigo, numa sala de audiências, em que, se em vez de eu ter lá estado como testemunha abonatória, tivesse estado como réu, pois bem, garantidamente outro galo teria cantado, e o senhor doutor juíz bem poderia carregar as cores negras da sua sentença, justificado no protesto e na ironia mordaz do zé povinho que seguramente eu teria feito questão de ser. Mas como a sentença ainda não transitou em julgado, e há um jovem adulto a sério que é preciso ser protegido dos desmandos de um juiz de jeito social mais cego que a mais opaca das pedras, visto-me das minhas imaginárias roupas terra-a-terra do Sancho Pança e desabafo: "Deixa-o pousar... Palavras leva-as o vento... Não é com vinagre e com fel que se apanham moscas..."
Ora o que conta J. C. de Vasconcelos?
O seguinte, na edição da Visão, de 30 de Abril de 2009, na página 40, falando de 25 de Abril, liberdade e jornalismo:
"(...) Acontece é haver quem abuse daquele direito [recorrer aos tribunais] e processe jornalistas senm nenhum fundamento, causando-lhe prejuízos e incómodos que só por si representam uma punição. [eco emocional n.º 1: de empatia da minha parte, "Estou consigo, Zé Carlos."] Casos nítidos, são numerosos processos intentados na Madeira, obrigando a custosas deslocações e estadas de que depois os arguidos, mesmo absolvidos, não são ressarcidos [eco n.º 2: "Como eu o compreendo!... É verdade!...]! Há, aliás, casos incríveis, e magistrados com insólitos [eco n.º 3, a este eufemismo, ou mariquce de fala ou de escrita compreensível: "E se a gente usa um palavreado assim mais arrevezado, aqui d'el-rei, que se ofendeu a dignidades de certas pardas eminências!"] pontos de vista... Dou um exemplo pessoal. Uma senhora, professora! [eco n.º 4, já estou a ver o meu juiz a dizer "Estão a ver?... Eu tenho ou não tenho razão!?... É por isso que o ensino está como está!..."], plagiou um poema [eco n.º 5, "Desculpe-me lá, senhor Augusto Abelaira..."]. Uma estudiosa do poeta soube e denunciou o plágio. A senhora, que viria a ser condenada penalmente [eco n.º 6, "Boa!..."], processou a autora do texto e a mim, como director do jornal, pedindo-nos uma avultada indeminzação, por atentar contra o seu "bom nome"! [eco n.º 7, de espanto e incredulidade: "Então a senhora dona do bom nome plagiou ou não a poeta autora?... E plagiar é feio, não é?..."] Em reconversão, tentando iniciar uma jurisprudência que se impõe, eu pedi uma pequena indemnização pelos danos que me causou o incrível processo. Resultado: a autora do texto e eu fomos absolvidos, tinha de ser, [eco n.º 8, "Claro!..."] mas a plagiadora também [eco n.º 9: mais espanto, mais incredulidade. Eco n.º 10: "Onde é que eu já ouvi que o crime compensa?..."] E no acordão da Relação escreveu-se que o director (eu) "não podia deixar de colocar no seu horizonte a eventualidade de poder ser-lhe movida uma acção como a presente (...), podendo até afirmar-se que tal constitui um risco inerente ao exercício das funções ainda que exercidas, como será o caso, com estrita observância dos princípios éticos e deontológicos"... [eco emocional n.º 11: "Não tenho palavras!... Estou esmagado, na minha funda ignorância visceral, com o peso de tanta palavra sábia... e sabiamente judiciosa (ou judicativa, não sei bem... cá estou eu às voltas com a minha ignorância visceral)!..."]
Dr. José Carlos de Vasconcelos, no fim disto tudo, a única coisa que não percebo é o que é que a Madeira tem a ver com isto... O caso passou-se na Madeira, ou não?... É que isso de despesas grandes dá para a Madeira, dá para os Açores, dá para qualquer tribunal longe no continente. Eu não saí de Lisboa e só para um pequeno testemunho de 10 minutos fui ao Tribunal 4 vezes, 1 dia inteiro e mais três tardes inteiras!... A faltar à escola... a engrossar as estatísticas do absentismo ("baldas", para os zés povinhos) dos professores às aulas!...